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2009-09-11
Tempo de mudanças

Tempo de mudanças


Tatiana Nascimento com colaboração de Micheline Batista
tatiananascimento.pe@diariosassociados.com.br


As plantações de cana-de-açúcar dominam a paisagem de muitas das cidades cortadas pela BR-101 nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Essa dependência da monocultura da cana pode estar com os dias contados.

Cícera Maria, moradora do Engenho Santa Fé, acha ruim atravessar a pista quando precisa ir ao centro de Palmares. Fotos: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
Estrada duplicada atiça o interesse das empresas de abrir novas unidades em locais antes desconhecidos por elas. O penúltimo dia da série Caminhos da BR-101 mostra como a obra já começou a mudar a realidade econômica de municípios da região.

As mulheres de Tejucupapo, na cidade de Goiana, colocaram os invasores holandeses para correr usando paus, pedras, panelas e a mistura de água fervente com pimenta. Viraram heroínas da história pernambucana. Mais de 360 anos depois daquele 24 de abril de 1646, a cidade da Mata Norte quer entrar para a história do país como um polo tecnológico na produção de medicamentos. O que for fabricado por lá seguirá rapidamente para o Porto de Suape pela BR-101 duplicada. O polo farmacoquímico ainda está em fase de implantação. Mas a cidade já respira os ares da mudança.
"Goiana viveu sucessivas fases de declínio econômico, mas já foi muito importante na economia do estado", lembra o secretário municipal de Saúde, Isidoro Guedes, que há uma semana participou do lançamento da pedra fundamental da fábrica de vacinas da Novartis. O projeto da gigante suíça está orçado em quase R$ 1 bilhão e deve empregar até mil pessoas durante a fase de construção, previstapara ser iniciada dentro de poucas semanas. Quando entrar em operação, em 2014, terá um efetivo de 120 empregados. A expectativa é que muitos desses trabalhadores sejam contratados na região.
Com uma área de 345 hectares, bem na divisa com a Paraíba, o polo farmacoquímico deve gerar mais de mil empregos diretos quando todas as fábricas estiverem em operação plena. Enquanto esse momento não chega, os goianenses vão se empregando nas obras de duplicação da rodovia. "Sabia que estavam contratando e deixei meu currículo. Aqui é ótimo", garante Jaime Pedro da Silva. Aos 48 anos, ele prova que nunca é tarde para mudar. Trocou o canavial pelo trabalho de ajudante geral. Há três meses, monta as ferragens das pontes do lote 6 das obras de duplicação da BR-101.


Jaime Pedro, morador de Goiana, trocou o canavial pelo trabalho na obra da rodovia.
Jaime ganha uma salário de R$ 490 por mês. Dependendo das horas extras, os rendimentos podem subir para R$ 600. Espera que, no futuro, os filhos de 15 e 18 anos consigam lutar por uma vaga no polo farmacoquímico. Do outro lado da duplicação pernambucana, no município de Palmares, os moradores do Engenho Santa Fé observam a movimentação das máquinas e dos caminhões. Cícera Maria da Silva, canavieira aposentada, 64, tem uma reclamação a fazer. Está mais difícil atravessar a pista e voltar para casa quando precisa resolver alguma coisa no centro da cidade.

O presidente da Federação de Municípios do Estado da Paraíba (Famup), Rubens Germano, mais conhecido por Buba, não enxerga problemas. Para ele, tudo é solução. Destaca a duplicação da BR-101 como fator de interiorização do desenvolvimento econômico. "Todo o estado acaba sendo beneficiado. É inquestionável a importância de uma obra como essa", afirma Buba, que é prefeito de Picuí, na região do Seridó paraibano. Ele conta que os prefeitos de várias cidades cortadas pela BR-101 relatam nas reuniões da federação as mudanças causadas pela obra.

"Começa pelo próprio canteiro de obras, que aumenta o fluxo no comércio local. Depois vêm novas empresas, indústrias, gerando mais emprego", afirma o presidente da Famup. No último mês de agosto, o governo paraibano assinou o protocolo de intenções para a instalação de novas empresas e ampliação de outras nas cidades de João Pessoa, Santa Rita, Mamanguape, Pedras de Fogo, Bayeux e Esperança. Elas vão atuar nos setores de bebidas, móveis, higiene e limpeza, alimentos, vestuário e embarcações, entre outras áreas. Diversidade é tudo.
Os 15 mil empregos de Escada



Difícil não notar um pouco de euforia na voz de Jandelson Gouveia ao falar sobre o futuro. Ele é prefeito de Escada, município da Mata Sul pernambucana com 62 mil habitantes e grandes expectativas. A cidade faz parte do território estratégico do Complexo Industrial Portuário de Suape e está no eixo da duplicação da BR-101. O distrito industrial vem ganhando corpo com a atração de empresas e deve até ser ampliado. Nos próximos quatro anos, calcula o prefeito, até 15 mil empregos podem ser gerados com a instalação de novas indústrias no município.

Hoje são quatro as fábricas já instaladas e operando, entre elas a unidade da Tigre (tubos e conexões de PVC). As obras de mais três começam ainda este mês. "Temos outras sete empresas confirmadas. Estamos esperando o início das obras", diz Jandelson Gouveia. O prefeito conta que empresas "satélite" já estão se instalando no rastro das âncoras. "Já veio uma nova empresa de reciclagem para trabalhar com o refugo da Tigre. São 50 empregos", comemora.

Para garantir que as fábricas utilizem mão de obra local, a prefeitura faz um acordo com as empresas. Cede o terreno em troca da capacitação e contratação de pessoal da cidade. Jandelson Gouveia conta que a Tigre levou trabalhadores para a unidade de Camaçari, na Bahia. A Alphatec, que irá produzir tubulações e estruturas de aço para a Refinaria Abreu e Lima, fará o intercâmbio na sede da empresa, no Rio de Janeiro. A equipe do prefeito também está viajando.

"Não queremos que o município tenha um crescimento desordenado, que haja favelização. Por isso, estamos conhecendo algumas cidades para nos preparar. Fomos a Macaé (RJ) e iremos a Camaçari", conta Gouveia. O prefeito conta que a própria obra da BR-101 já rendeu mais de R$ 2 milhões em ISS (Imposto sobre Serviços). Dinheiro que foi aplicado em projetos de educação, lazer e infraestrutura. Pelo menos 300 moradores de Escada estão trabalhando na duplicação.
As intervenções nos municípios



Rio Grande do Norte

Arês

1 acesso/retorno passagem inferior

Baía Formosa

1 acesso/retorno passagem inferior

Canguaretama

1 passarela de pedestre

2 ruas marginais

2 viadutos sobre ferrovia

Goianinha

1 passarela de pedestre

2 ruas marginais

4 viadutos sobre ferrovia

2 viadutos sobre retorno

1 passagem inferior

Natal

duplicação do viaduto de Ponta Negra

2 passarelas de pedestre

2 ruas marginais

Parnamirim

2 passarelas de pedestre

2 ruas marginais

São José do Mipibu

1 passarela de pedestre

2 ruas marginais

Paraíba

Alhandra

construção de vias marginais

1 passarela de pedestres

Bayeux

3 passarelas de pedestres

2 ruas marginais

2 passagens inferiores (acesso aeroporto)

1 viaduto

Conde

1 passarela de pedestres

João Pessoa

1 passagem inferior

3 passarelas de pedestres

2 vias marginais

Mamanguape

3 passarelas de pedestres

2 ruas marginais

1 viaduto com passagem de pedestres

Santa Rita

2 duplicações de viaduto

Pernambuco

Cabo de Santo Agostinho

1 viaduto

1 passarela de pedestres

2 vias marginais

Escada

3 passarelas de pedestre

2 vias marginais

Goiana

1 passarela de pedestres

2 viadutos

2 ruas marginais

Igarassu

2 passarelas de pedestres

2 vias marginais

Jaboatão dos Guararapes

2 ruas marginais

1 viaduto

Joaquim Nabuco

construção de variante

Palmares

2 passarelas de pedestre

2 vias marginais

retificação de traçado

Ribeirão

restauração da BR que passa por dentro do município, tornando-a via local

1 viaduto

Fonte: Dnit
Fonte: Diario de Pernambuco