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2009-09-08
Caminhos da BR-101 // Expandindo horizontes

Caminhos da BR-101 // Expandindo horizontes


 

É inevitável. A construção ou duplicação de uma rodovia reflete diretamente no mercado imobiliário das regiões por onde ela passa. A população, não importa a classe econômica, tende a se deslocar das áreas centrais em direção a localidades mais afastadas. Em busca de paz ou de preços menores.

O contraste chama a atenção em Nova Parnamirim. Os conjuntos de prédios vão surgindo em meio às casas. Fotos: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
No caso das obras do Corredor Nordeste da BR-101, a expansão de condomínios e até a proliferação de novos bairros já começa a ser percebida pelos moradores das regiões metropolitanas do Recife, João Pessoa e Natal. A mudança também acontece no Interior dos estados, com a subida dos preços de alugueis e terrenos. O crescimento imobiliário das cidades impulsionado pela obra da rodovia é o tema da terceira reportagem da série Caminhos da BR-101.

As máquinas misturam cimento de um lado, os homens colocam fiação do outro. A cerâmica já está no piso. Agora falta pouco. Dentro de mais algumas semanas, os primeiros moradores do Residencial Panamericano vão receber as chaves de seus apartamentos. O empreendimento fica no bairro de Nova Parnamirim, vizinho a Natal. É uma das áreas que mais se valorizam na região, colhendo frutos da duplicação da rodovia.

"Está um corre-corre nos últimos dias", conta Gisele Simplício, engenheira residente da obra. Aos 24 anos, ela comanda uma equipe de pelo menos 100 trabalhadores. "É um grande desafio", reconhece a engenheira, que também é nadadora e compete pelo Nikita/Sesi, de Pernambuco. O Residencial Panamericano contará com dez torres e 600 apartamentos. O projeto é da Cooperativa NorteRiograndense de Habitação, formada por seis empresas (Marco, Metro Quadrado, Monte Neto, TecNart, Therra e Zeta).

Outras empresas também colocaram o pé na estrada. O grupo Capuche, um dos líderes do mercado imobiliário potiguar e desde 2006 atuando também na Paraíba, tem projetos em Parnamirim e planeja um novo bairro no caminho de São José de Mipibu. O condomínio em Parnamirim é o Cidade Campestre, com mais de 200 hectares e um perfil mais popular.


Em São José, o condomínio vem com a opção dos extras de um resort.
O comprador pode escolher entre lotes a partir de R$ 25 mil e casas prontas, que custam a partir de R$ 68 mil. Tudo pode ser financiado pelo programa do governo federal Minha casa, minha vida. Já o novo bairro que está sendo planejado para São José de Mipibu ainda não tem nome (mas que ninguém duvide se ele for batizado de "Nova São José"). Também terá foco nos "emergentes" da classe C.

Popular é tudo o que o Condomínio Pau Brasil não é. Fica na mesma São José, a 16 quilômetros de Natal, e foi lançado há dois anos. Tem 127 lotes a partir de mil metros quadrados. Mais de 100 unidades já foram vendidas. Detalhe interessante: é o primeiro do estado a ter toda a rede elétrica subterrânea. O metro quadrado custa R$ 180. O menor lote sai, portanto, por R$ 180 mil. Barato não é. A infraestrutura do condomínio foi entregue em julho e os primeiros moradores já começaram a construir suas casas.

Por um valor mensal (10% do salário mínimo), os moradores também poderão aproveitar toda a estrutura de lazer do Tropical Eco Resort, que fica ao lado e inclui duas quadras de tênis, minicampo de futebol, piscinas, tirolesa, passeio de charrete e cavalo, pedalinho e até um pesque-pague. "Tem muita gente de Natal comprando os lotes para morar aqui", conta a gerente do resort, Cesária Santana.

"O importante é que a infraestrutura chegue antes", destaca Arménio Ferreira, superintendente da Moura Dubeux Urbanismo. A construtora, com sede em Pernambuco e empreendimentos em cinco estados nordestinos, possui uma área de 12,5 milhões de metros quadrados entre as cidades pernambucanas de Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. Parte do terreno, que margeia 7 quilômetros da BR-101, será destinada à construção de condomínios (populares, de médio e alto padrão).

Um bom pedaço dessas novas habitações vai atender os trabalhadores das empresas que estão se instalando no Complexo Industrial Portuário de Suape. Mas os atuais moradores do Recife e cidades vizinhas também irão atrás das moradias. "O Recife é uma cidade territorialmente pequena. Como não existia uma infraestrutura fora da cidade houve a tendência de verticalização. A duplicação da BR-101 vai dar uma velocidade de expansão muito grande", conclui Arménio Ferreira.


Vende-se um sítio



Já pensou em morar num sítio? O do avô de Francisco Batista de Lima, 48 anos, está à venda. Por R$ 50 mil ele pode ser seu. Fica em Canguaretama, Rio Grande do Norte.

Francisco de Lima vende coco, camarão, caranguejo e ostra na margem da rodovia. Ele diz que o sítio do avô está à venda por R$ 50 mil. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
O município é conhecido pela produção de camarão e pela praia paradisíaca de Barra do Cunhaú. "Já quiseram pagar R$ 40 mil, mas a gente não aceitou. Tem gente de fora interessada", avisa Francisco, que vende coco, camarão e ostra na margem da BR-101.

A tal "gente de fora" ficou de olho no terreno para dividi-lo em lotes e construir 50 casas. O negócio só não foi adiante, conta o vendedor, porque a área do sítio do avô "ainda tem muito toco de árvore". Parece que os empresários acabaram negociando outro sítio mais limpo, sem tantas árvores, um pouco mais adiante. Tudo indica que o condomínio vai mesmo sair. Expansão imobiliária é isso.

No município de Goiana, na divisa de Pernambuco com a Paraíba, a subida dos alugueis é mais veloz que as obras do polo farmacoquímico em implantação na cidade, capitaneado pela fábrica da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). Quinta-feira passada foi lançada a pedra fundamental da fábrica de vacinas do grupo Novartis, que deve gerar mil empregos durante a construção e movimentar o mercado imobiliário local.

A própria obra de duplicação e recuperação da BR-101 trouxe novos moradores à cidade. O alagoano José Roberto dos Santos, 31, é um deles. Saiu de Penedo e está em Goiana desde abril. "Tem um lugar que a firma alugou na Praia de Ponta de Pedras", conta Roberto. Ele já tapou muito buraco da estrada e atualmente trabalha como motorista e coordenador de equipes no trabalho de restauração.



FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO - 08/09/2009