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2009-09-07
Caminhos da BR-101 // Na rota do emprego

Caminhos da BR-101 // Na rota do emprego


Tatiana Nascimento // Diario
tatiananascimento.pe@diariosassociados.com.br


 

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) calcula que as obras de duplicação e recuperação da BR-101 entre o Rio Grande do Norte e Pernambuco empregam 4 mil pessoas diretamente e geram outros 12 mil empregos indiretos.

Trabalhadores da região de Palmares esperam por uma vaga no canteiro de obras. Fotos: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
No segundo dia da série Caminhos da BR-101, o Diario de Pernambuco conta histórias de quem ainda busca um lugar nessas estatísticas e daqueles que já exibem com orgulho a carteira assinada.

No caminho para a cidade de Palmares, Mata Sul de Pernambuco, é grande a aglomeração do lado direito da BR-101. Centenas de homens esperam. Uns em pé. Outros sentados em blocos de concreto. O fim do período de chuvas é a garantia de dias bem movimentados em frente ao canteiro de obras do consórcio OAS/Camargo Corrêa/Mendes Júnior, responsável pela duplicação e recuperação do lote 8 do Corredor Nordeste. Trabalhadores de Palmares e cidades vizinhas querem garantir um lugar nas obras, nem que seja apenas por alguns meses. Tudo bem. O que importa é a carteira assinada e o dinheiro no bolso para sustentar a família.

Já passa das 11h e Levi José de Barros, 30 anos, prepara-se para voltar para casa. Mais um dia sem resposta. Há um mês ele faz ponto em frente ao canteiro esperando ser chamado. É morador de Joaquim Nabuco, município com pouco menos de 20 mil habitantes e o 4.417° lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Todo dia são R$ 3 de passagem. Desempregado há um ano, Levi diz que aceita qualquer serviço que aparecer na obra. Tem três filhos para sustentar com os R$ 115 que recebe do programa Bolsa Família. "Infelizmente dão preferência a quem já trabalhou com eles".


Antônio Cabral deixou Gravatá, no Agreste pernambucano, para vender coxinhas na Paraíba.
O desapontamento de Levi é a esperança de Cícero Alceu da Rocha, 59. Ele já foi contratado do consórcio nos últimos dois anos como encarregado de ferragens. Ganhava um salário de R$ 797 e tinha a carteira assinada. É de Palmares. Tem cinco filhos e 12 netos. "Faço de tudo. Trabalho de carpinteiro, pedreiro, mestre de obras", conta Cícero. "Mandaram eu voltar dia 10 (quinta-feira). Espero ter sorte". Sorte que não faltou a Renato Souza, 25, morador de Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Ele trabalha há seis meses com segurança do trabalho.

Renato levou o currículo para o setor de contratações do consórcio Constran/Galvão/Construcap, que realiza as obras do lote 2 da BR-101, entre a entrada para o município de Arês e a divisa com a Paraíba. "Terminei o curso de técnico desegurança no ano passado e agora trabalho aqui", comemora. Renato é casado e de segunda a sexta-feira fiscaliza as obras na cidade de Goianinha. Ele diz que o salário dá para o sustento. Mas não deixa de fazer um extra nos fins de semana. É DJ da Nyx Club, boate que faz parte do Chaplin, tradicional complexo de entretenimento de Natal.

De acordo com o gerente geral de contrato da obra, Gilberto Ruggiero, cerca de 300 pessoas estão empregadas diretamente nos trabalhos do lote 2. Nos momentos de pico, especialmente no verão, o número de trabalhadores sobe para mais de 500. Riggiero diz que o consórcio busca contratar o máximo de mão de obra local. "A gente procura dar o treinamento. Mas, às vezes, precisamos de gente mais especializada de fora", reconhece. Joenilson Lopes, 29, morador de Goianinha, foi contratado como auxiliar de serviços gerais. Está na obra há dois anos e nunca tinha feito serviço em estrada. "Aqui tem gente de Belém do Pará, do Mato Grosso", conta.

Não são apenas os lotes privados da duplicação que abrem vagas no mercado de trabalho dos estados. O engenheiro Sálvio Santos lembra que os três lotes comandados pelo Exército Brasileiro (1, 5 e 6) utilizam também pessoal terceirizado. Em agosto, havia 783 pessoas trabalhando diretamente na obra. "No pique deu de 600 a 700 homens por lote. Esse número envolve os militares e também o pessoal que está prestando algum serviço complementar no canteiro. Quando o Exército compra a brita para fazer o concreto, o trabalhador da pedreira que faz a brita também é beneficiado", explica Santos, responsável pelos lotes 5 (Paraíba) e 6 (Pernambuco). No final todos saem ganhando.

Trabalhando na BR

Empregos diretos: 4.000
Empregos indiretos : 12.000

Mão de obra utilizada, hoje, nos lotes do Exército

Lote 1 (RN) : 248
Lote 5 (PB) : 220
Lote 6 (PE) : 315
Total : 783

Fontes: Dnit e Exército Brasileiro


O rei das coxinhas e da estrada



Obra em estrada não mexe com o mercado de trabalho apenas na época em que as máquinas estão na pista. O desenvolvimento que chega no rastro do asfalto e do concreto também traz esperança para quem sonha com uma vaga de emprego.

Josenildo Oliveira dos Santos, empresário. Foto: Alcione Ferreira/ DP/ D.A Press
No trecho da BR-101 já duplicado e liberado da Paraíba, quase na divisa com Pernambuco, 60 postos de trabalho serão criados por conta das coxinhas de Josenildo Oliveira dos Santos.

Sucesso na BR-232 e na cidade pernambucana de Gravatá, o empresário já instalou unidades provisórias do Rei das Coxinhas em cada lado da rodovia. Prepara-se agora para investir pelo menos R$ 400 mil nos espaços definitivos. Cada um deles contará com 30 empregados. "Vamos começar a construção do primeiro em novembro. Já estamos medindo e preparando o terreno", conta Josenildo, que montou o negócio com o irmão Ivanildo em 1986.

No início, as coxinhas eram feitas por eles mesmos em casa. Depois de colocadas em pequenas caixas de isopor, eram vendidas na BR-232, nos pontos dos ônibus que passavam por Gravatá. Hoje, cerca de 30 mil coxinhas são vendidas por mês. O primeiro ponto provisório na Paraíba foi aberto em outubro do ano passado. O segundo é deste ano. Os dois empregam 23 pessoas da região e de Gravatá também.

Antônio Cabral, 31 anos, saiu de Gravatá há menos de um mês para trabalhar como vendedor. Por enquanto não está na loja. Passa o dia oferecendo coxinhas, refrigerante e água aos motoristas que precisam esperar pelo menos dez minutos até passar pela ponte sobre o Rio Mumbaba, que está sendo alargada. Antônio estava desempregado há dois anos. Agora ele recebe R$ 150 por semana pelo emprego temporário.

Casado, pai de três filhos, Antônio espera ser contratado de forma definitiva quando as obras acabarem. O patrão, Josenildo, está disposto a aumentar o quadro de funcionários. "O movimento está bom. Mas acho que vai melhorar muito quando toda a BR estiver duplicada. O fluxo de carros vai aumentar depois que tudo estiver pronto. É uma obra boa porque gera muitos empregos", destaca o empresário.

Eu e a BR

"A obra é muito boa porque gera muito emprego. O fluxo de carro aumenta, as pessoas viajam mais. Hoje eu vou um dia por semana. Quando tiver tudo terminado, irei pelo menos três vezes por semana. Depois que as lojas estiverem prontas, vamos ter uns 60 funcionários"

Josenildo Oliveira dos Santos, empresário



FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO - 07/09/2009