2009-07-13
Duplicação da BR 101/NE

DUPLICAÇÃO DA BR 101/NE Sem as sombras da crise A rodovia que nas décadas de 70 e 80 era mais conhecida como Translitorânea já não é mais a mesma. Não só por ter mudado de nome, mas principalmente pela ênfase e importância que assumiu nos últimos anos como principal ligação entre o Nordeste, o Sudeste e o Sul do país. Com seus 4.553 quilômetros de extensão a BR-101 passa por 12 estados e em oito deles cruza as capitais. Se a estrada continua cortando o litoral, já o faz oferecendo aos usuários mais rapidez e segurança, usando os principais artifícios que o avanço da tecnologia e as novas técnicas de engenharia trouxeram. Este é o caso da ampliação de capacidade, ou duplicação, que se executa entre Natal (RN) e Palmares (PE). Nesta extensão de 335,7 quilômetros a rodovia mais que dobra sua capacidade de tráfego com a construção de uma pista toda em concreto, novas pontes, viadutos, acessos, passarelas, variantes e vias marginais nas áreas urbanas. Com três lotes de obras iniciados em 2005 e outros cinco em 2006, a duplicação será concluída em 2010. Mas a obra, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já beneficia inúmeros usuários com a entrega de vários trechos. É aí que a força do empreendimento do Governo Federal aponta para o caminho do desenvolvimento regional, alheio às previsões mais sombrias de crise mundial. Nas variantes de Ribeirão (km 148 – km 152) e de Araruna (km 158 – k, 161,5), ambas em Pernambuco, as pistas duplas em concreto são construídas entre as montanhas. Elas deixam o antigo leito da rodovia para o uso exclusivo dos municípios, eliminando conflitos e acidentes. Em outras extensões, os moradores de casas que formavam vilas inteiras na faixa de domínio da rodovia foram relocados. Ganharam mais conforto e dignidade, enquanto a rodovia fica mais segura. São os casos das comunidades de Pitanga da Estrada na Paraíba, Canguaretama, São José do Mipibu e Goianinha no Rio Grande do Norte. No município de Goianinha, em menos de oito quilômetros são construídos três viadutos. Dois deles interligados, possibilitam o trânsito local livre e deixa sem interdição os trilhos da ferrovia concedida à Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN). Isto deixa aberta a possibilidade da expansão do sistema ferroviário, incluindo o município, onde os trilhos encontram-se desativados. E o que dizer do novo aspecto que um viaduto trouxe para Mamanguape? No município paraibano, o burburinho dos moradores passando perto da obra com expressões de admiração e empolgação é algo que mereceria uma análise à parte. Mas mesmo quem percorre apenas trechos curtos pode perceber as mudanças que chegaram com a duplicação. Até restaurantes que funcionavam em varandas já se expandiram para novos galpões, diante da perspectiva de aumento de fluxo de veículos na rodovia e da chegada de outras empresas para a região. Entre os municípios de Conde e João Pessoa na Paraíba, por exemplo, é impossível não notar a presença de fábricas de cerâmicas e porcelanato e de outros prédios em fase final de construção para atividades diversas, dentre elas, centros de distribuição de equipamentos eletro-eletrônicos. A integração ao meio ambiente. Já nas zonas rurais, com a conclusão da duplicação, a paisagem é outra. Áreas nas quais se retiram materiais para aterros dentro outros (as chamadas jazidas de empréstimo) são recuperadas. Há inclusive a plantação de espécies nativas de mata atlântica e de frutíferas também nativas da região em encostas e baixadas. A Integração da nova BR-101 com o meio ambiente é ainda mais evidente entre o km 25 e o km 30 do trecho paraibano. De um lado da estrada fica a Reserva Biológica Guaribas e do outro uma reserva indígena, na área conhecida como Baia da Traição. Próximo dali, um sitiante que vende frutas, em uma barraca ambulante instalada entre a pista nova e a antiga, reconhece. “Esta BR tá muito bonita! Tá melhorando tudo pro povo daqui...” e engole temporariamente o “porém”. Depois de descascar e servir em pequenos pedaços os dois abacaxis pedidos pelos fregueses ele suspira. “Logo não poderei mais vender frutas aqui. Disseram que esta barraca no meio das pistas vai trazer insegurança pra estrada, quando a pista nova for liberada. Então, vou achar um outro jeito. Os investimentos no trecho nordestino da rodovia em duplicação somam R$ 2,3 bilhões. Até agora foram executados R$ 1,2 bilhão. Segundo os relatórios do DNIT, até 03 de junho de 2009 a obra já contava com 233 quilômetros de pista nova construída. Desde total, 51 quilômetros duplicados estão liberados ao tráfego de veículos nos estados do Rio Grande do Norte e Paraíba. Ainda estes anos novos trechos serão liberados e a obra será concluída no final do próximo ano.
(*) MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA INFOVIAS ANO I EDIÇÃO 1 MAIO/JUNHO 2009