2009-04-23
OBRAS DE ARTE ESPECIAIS

Quando nos referimos a Obras de Arte Especiais a idéia nos reporta para algum quadro de Picasso, para uma escultura de Michelangelo ou uma pintura de Leonardo da Vinci. Coincidência ou não, no mundo da engenharia de estradas a construção de pontes, pontilhões, viadutos, túneis, passagens inferiores e outras obras correlatas ganharam esta denominação desde a época em que, empiricamente, era realizada por pessoas dotadas de grande intuição sobre estética e beleza estrutural e a sensibilidade de um escultor.
Mesmo após o empirismo ceder lugar ao pensamento científico, no século XVIII, essas construções continuaram assim denominadas com justa razão porque, cada vez mais, elas foram construídas para se tornarem verdadeiras jóias da arquitetura e da engenharia civil. Para as obras de menor porte, como bueiros, muros de arrimo e galerias, a nomenclatura da engenharia reservou um nome menos pomposo, denominando-os de Obras Comuns ou Obras Correntes que, por vezes, não deixam de ter sua importância quando a finalidade é vencer obstáculos geográficos ou viários.
ASPECTOS HISTÓRICOS
Há séculos que homem usa sua inteligência visando transpor obstáculos físicos, construindo pontes com o material disponível em cada época. A pedra e a madeira usadas na época medieval, por exemplo, parecem ter sido os primeiros materiais empregados nessas construções. A ponte de Saint-Martinde, perto de Torino, é datada do ano 25 a.C. Há vestígios de uma ponte em pedra construída no século 12 d.C. Registra-se também uma ponte em madeira e pedra no Japão, datada de 1673. Entretanto, a mais famosa delas, construída em madeira, é a ponte Caesar, em Roma, construída no início da era cristã. O navegante Marco Pólo em seus relatos registra a existência de cerca de 12.000 pontes feitas em madeira, ferro ou pedra.
A partir da Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX e o advento dos trens, a construção de pontes e viadutos desseminou-se por várias partes da Europa. Em 1779 se inicia a era do ferro fundido nessas obras, com a construção da Ponte ferroviária denominada Coalbrookdale, no distrito de Hubelrt, na Inglaterra. Somente no início do século XX foram construídas as primeiras pontes em concreto armado e após a II guerra mundial, elas começaram a ser construídas em concreto protendido.
Provavelmente, a primeira ponte construída no Brasil tenha sido a que ligava o Recife às ilhas de Santo Antonio e o continente, construída pelo conde Maurício de Nassau em 1644, servindo a pedestres e veículos tração animal.
No Brasil, a história do trânsito pode ser contada entre as décadas de 30 e de 50, quando a estrutura demográfica do teve de ser modificada em virtude do êxodo da população rural para as cidades e o advento da indústria automobilística, obrigando o governo a investir na construção de grandes rodovias e, consequentemente, nas pontes e viadutos.
FINALIDADES
Destinadas a vencer obstáculos e dar continuidade a uma via de qualquer natureza, a ponte pode transpor rios, vales profundos, braços de mar, estradas e ruas. O viaduto, que também pode ser considerado uma ponte, objetiva transpor superfícies fluídas como um rio, um braço de mar, lago, lagoa ou canal, e obstáculos secos como vales, ruas, estradas, recebendo nomes de acordo com as funções para os quais foram projetados, como viadutos de acesso ou viadutos de meia encosta
Tanto as pontes quantos os viadutos são dotados de pista de rolamento com largura disponível para o tráfego normal dos veículos, geralmente, subdivididas em faixas; de acostamento, cuja largura adicional à pista de rolamento é destinada à utilização em casos de emergência, pelos veículos; de defensas, que são elementos de proteção aos veículos, colocados lateralmente ao acostamento; de passeio, com largura adicional destinada exclusivamente ao uso por parte dos pedestres; do guarda-roda, defensa destinada a impedir que os veículos atinjam a área destinada aos pedestres; e por final, o guarda corpo, elemento de proteção aos pedestres
AS OAEs NA BR-101 - PARAÍBA
Na duplicação dos 129,0 quilômetros de extensão da BR-101-PB, o investimento com as Obras de Arte Especiais representadas pela construção de viadutos, passarelas, passagens inferiores, além do alargamento de pontes e viadutos já existentes, chega aproximadamente à casa dos R$ 60 milhões, como forma de modernizar a rodovia e garantir a segurança do tráfego de veículos e dos habitantes das comunidades lindeiras, ao instante em que contribuem para a modificação e beleza da paisagem dos municípios onde são edificados, sem esquecer a postura e o trato com o meio ambiente.
Fontes:
- NCS/DNIT-PB
- Consórcio Contécnica/Planservi/Lenc
- CEFTRU/UnB
- Wikipédia
- Fotos: Arquivo DNIT/PB