2009-03-20
PAC Vistoria - BR-101 Nordeste - Lula confere obras.

Em evento que reuniu centenas de pessoas em Escada, interior de Pernambuco, Lula falou da importância de duplicar a rodovia para todo o Nordeste do Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no início de fevereiro no município de Escada (PE) vistoriando um trecho das obras de duplicação da BR-101. Acompanhado do ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, da ministra chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, do superintendente do DNIT em Pernambuco Marcos César Crispim Lima e do governador do estado Eduardo Campos, Lula se mostrou otimista dizendo que a duplicação da BR-101 Nordeste era um sonho que precisava se tornar realidade. “Um turista que vier de avião para o nordeste poderá pegar um carro e conhecer todo o litoral da região, viajando com conforto e segurança”. Lula falou também da relação custo benefício da nova rodovia: “esta rodovia é muito especial. Se as cargas forem controladas por balanças, ela é feita de concreto, vai durar 30, 40 ou até 50 anos”. O presidente encerrou seu discurso com uma promessa ao povo pernambucano: “Volto aqui em breve para a inauguração da obra.”
O ministro dos Transportes enalteceu a importância do PAC para a concretização da duplicação e também falou da competência com que o Programa tem sido administrado pela ministra Dilma Rousseff. “Se não fora a competência e a firmeza com que a Dilma faz a gestão dessas obras, nada disso estaria ocorrendo”, afirmou.
A ministra, por sua vez, ressaltou a importância da duplicação da rodovia. Desejou à população bom uso da estrada: “ela torna acessível as belezas de Pernambuco, mas também é uma estrada que escoa a produção do estado. Tem um imenso tráfego e por isso a duplicação dará mais segurança e irá preservar muitas vidas”, frisou.
Para o governador Eduardo Campos as medidas tomadas pelo governo federal vem contribuindo muito para o desenvolvimento do nordeste. “Estamos vindo de Salgueiro onde vimos começar um trecho da ferrovia Transnordestina, que vai interligar todas as regiões até os portos. Temos também a duplicação da BR-101 que vai reestruturar a produção da nossa gente e espalhar o progresso pelo nordeste”, comemorou.
PAC Especial BR-101/NE
Meta é dobrar potencial do Nordeste
A duplicação da BR-101 Nordeste é a maior obra rodoviária em construção no Brasil. Ligando três estados e passando por três capitais a estrada é a principal via de uma região recheada de contrastes.
Pavimentada há mais de 30 anos, a BR-101 liga os dois Rio Grandes (do Norte e do Sul), é uma rodovia longitudinal. Seu ponto inicial fica na cidade de Touros (RN) e segue passando pelos estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, até chegar ao município de São José do Norte, às margens da Lagoa dos Patos (RS). No nordeste ela tem papel extremo na vida dos nordestinos. Corta regiões belíssimas, plantações de cana de açúcar que se perdem no horizonte, grandes capitais, mas também comunidades empobrecidas. Transporta produtos, leva pessoas, interliga os principais pólos econômicos da região e dá acesso ao concorrido litoral nordestino. Quando da sua implantação, colaborou no desenvolvimento daquele território. Agora, perto de estar totalmente duplicada, desde Natal (RN) até Palmares (PE), a BR-101 vai dobrar a capacidade de crescimento dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, trazendo consigo novas oportunidades para os nordestinos. Serão duas vezes mais garantias aos três estados. Duas vezes mais autonomia para movimentar suas riquezas, transportar sua gente e atrair novos investimentos.
O empreendimento integra o Plano de Aceleração do Crescimento – PAC e o Projeto Piloto de Investimento - PPI, do governo federal. Ao todo são exatos 398,9 km de obras. A pista original está sendo totalmente recuperada e outra construída paralelamente em pavimento rígido. A escolha do material é devido ao tempo de vida útil. O concreto suporta as ações do tempo e do tráfego por um período muito superior ao pavimento flexível (asfalto). Estudos apontam que, se respeitados os limites de peso pelos veículos de carga, a pista pode resistir até 50 anos, diminuindo muito o custo de manutenção em relação ao pavimento tradicional. O pavimento flexível exige que a pista seja refeita após 8 ou 9 anos de uso.
As obras estão em ritmo acelerado visto que estão distribuídas em oito lotes. Os lotes 1 e 2 estão no Rio Grande do Norte. Da divisa do Rio Grande do Norte até a divisa com Pernambuco, por toda a extensão da rodovia na Paraíba estão os lotes 3, 4 e 5. Por último, em Pernambuco, estão os lotes 6, 7 e 8.
Rodovias&Vias viveu a rotina desta que é a mais importante via terrestre entre os estados do Nordeste durante 15 dias. Fizemos o trecho de ponta a ponta por duas vezes e conferimos o andamento das obras, a movimentação do tráfego, a circulação das pessoas e os reflexos trazidos por um empreendimento de quase R$ 2 bilhões.
Rio Grande do Norte – lotes 1 e 2
É no Rio Grande do Norte que está o marco zero da BR-101, mais precisamente na cidade de Touros. A duplicação, porém, inicia próximo ao perímetro urbano de Natal, capital do estado, seguindo por 81,4 km até a divisa com a Paraíba. Ao longo desta extensão estão mais seis municípios: Parnamirim, São José de Mipibu, Nísia Floresta, Arês, Goianinha e Canguaratema.
O lote 1 começa pouco depois da sede de Parnamirim, exatamente a partir do entroncamento com a rodovia estadual RN-063, que dá acesso a Ponta Negra. Segue por 46,2 km passando por São José do Mipibu até o acesso a Arês. Este trecho está sendo executado pelo 1º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro.
A construção do lote 2 está a cargo do consórcio Constran/Galvão/Construcap. O trecho tem 35,2 km de extensão, partindo do fim do lote 1, no entroncamento com o acesso a Arês, até a divisa com o estado da Paraíba.
Em todo o trecho do Rio Grande do Norte haverá intervenções diretas no perímetro urbano dos municípios de Parnamirim, São José de Mipibu e Goianinha. Em Canguaratema a intervenção será menor, pois a rodovia apenas margeia o perímetro urbano. Nos demais municípios ela percorre área rural.
Paraíba - Lotes 3, 4 e 5
A Paraíba é cortada de norte a sul, ao longo de seu litoral, pela BR-101. São 129 km de rodovia que estão sendo totalmente revitalizados e outros 129 implantados. As obras estão dividas em três lotes.
O lote 3 vem da divisa com o Rio Grande do Norte, ao longo de 40,4 km, até o município de Mamanguape, no entroncamento com a rodovia estadual PB-041. O consórcio CR Almeida/Via /EMSA é quem está executando as obras.
Já o lote 4 está sob responsabilidade do consórcio ARG/EGESA. São 33,7 km desde Mamanguape até o entroncamento com a PB-025, próximo a Santa Rita.
Do lote 5 fazem parte 54,9 km que começam no entroncamento com a PB-025 e seguem até a divisa com Pernambuco. Este trecho está sendo executado pelo 2º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro.
São 10 municípios paraibanos cortados pela BR-101: Mataraca, Rio Tinto, Mamanguape, Santa Rita, Bayeux, João Pessoa, Conde, Alhandra, Pedras de Fogo e Caapora. Em Mamanguape e Bayeux acontecem as principais intervenções urbanas das obras na Paraíba.
O superintendente do DNIT na Paraíba, Expedito Leite da Silva, acredita que haverá um aumento de 20% no número de veículos que circulam pelo trecho diariamente. “O tráfego atual chega a atingir cerca de 16 mil veículos/dia. A obra representa um grande avanço econômico para a região. As atividades agrícolas, industriais, assim como o turismo, sentirão melhorias significativas” avalia.
Pernambuco – lotes 6, 7 e 8
Em Pernambuco serão 188,5 km beneficiados pela nova rodovia. Além dos três lotes (6, 7 e 8) que já estão em obras, o contorno de Recife está em processo de licitação. Quatorze municípios são diretamente influenciados pelo empreendimento. Além da capital Recife a rodovia corta: Abreu e Lima, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Escada, Goiana, Igarassu, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Joaquim Nabuco, Olinda, Palmares, Paulista e Ribeirão.
“A duplicação da BR-101 é um grande marco na engenharia rodoviária aqui no Nordeste. Temos em média 60% das obras concluídas e nosso cronograma prevê entregarmos os lotes 7 e 8 ainda este ano”, afirma o superintendente do DNIT em Pernambuco, Marcos César Crispim Lima.
Com o contorno de Pernambuco, o tráfego da rodovia será desviado da área urbana. “Este lote está sendo licitado e a previsão é que iniciemos no primeiro semestre desse ano” explica.
Outro ponto relevante é que a BR-101 dará maior suporte ao porto de Suape. “É um dos portos que estão em maior evidência no país. Lá estão em construção uma refinaria e um estaleiro. Estes investimentos vão alavancar consideravelmente a economia do estado” conclui Crispim.
O lote 6 começa na divisa com o estado da Paraíba. Segue por 41,4 km até o entroncamento com a rodovia estadual PE-035 no município de Igarassu. As obras deste trecho estão a cargo do 3º e 4º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro.
Para o lote 7 foi contratado o consórcio Queiroz Galvão/Odebrecht/Andrade Gutierrez/Barbosa Mello. São 43,9 km partindo de Cabo de Santo Agostinho até o município de Ribeirão.
Finalmente o lote 8, segue de Ribeirão até Palmares por 40 km, concluindo todo o trecho de obras da BR-101 Nordeste. Este segmento está sendo executado pelo consórcio OAS/Camargo Correa/Mendes Junior.
Quatro cidades pernambucanas terão interferências nos seus núcleos urbanos: Goiana, Abreu e Lima, Cabo e Palmares. Nos outros municípios a rodovia corta o perímetro urbano, no caso da região metropolitana de Recife, e áreas rurais.
No início do ano uma comitiva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes percorreu por três dias toda a extensão em obras de duplicação da BR-101 Nordeste. De acordo com o coordenador geral de construção rodoviária do DNIT Luis Munhoz Prosel Júnior, as vistorias foram muito produtivas. “Fizemos reuniões em todas as superintendências, com todos os contratados, todos os envolvidos na construção e duplicação da BR-101 Nordeste visando a entrega de trechos, de segmentos da rodovia que estão praticamente prontos”, comemora Munhoz. “Temos o compromisso de entregar toda a obra já em abril do ano que vem, mas até dezembro deste ano iremos inaugurar entre 120 e 140 quilômetros de estrada duplicada e restaurada”, complementa.
Para garantir a qualidade do empreendimento existe um consórcio que coordena e centraliza as informações das obras. O coordenador geral deste consórcio, José Maria Morheb, explica a necessidade do trabalho: “Como as ações ocorrem em três estados necessitamos centralizar e uniformizar essas informações. Temos equipes trabalhando nos três estados, coletando dados in loco e os remetendo à Brasília.
Lá trabalhamos as informações de caráter físico, financeiro e orçamentário, enfocando principalmente o acompanhamento de qualidade de obra. Uma meta do DNIT é melhorar sempre” conta Morheb.
O exército também está nessa guerra
Responsável por três dos oito lotes, o Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro está em 142,5 km da BR-101 Nordeste. Mais precisamente nos lotes 1 (RN), 5 (PB) e 6 (PE).
Conversamos com dois dos principais homens no comando desta operação que tem dimensões de guerra. O General Jorge Ernesto Pinto Fraxe, comandante do 1º Grupamento de Engenharia e o General José Claudio Fróes de Moraes, diretor de obras de cooperação do Exército receberam nossa equipe em João Pessoa e nos contaram um pouco como o exército atua na construção da infraestrutura de nosso país.
General José Claudio Fróes de Moraes
Rodovias&Vias: Como funciona a participação do exército em obras públicas de infraestrutura?
General Fróes: Quando um órgão público, federal, estadual ou municipal, quer passar uma obra para o exército basta fazer um convênio e estará regulamentado. Não existe a necessidade de licitação, com isso ganha-se tempo.
Rodovias&Vias: A população, de uma forma geral, tem uma visão do exército como um órgão de proteção nacional, como quem cuida da nação e do território. Como é tratada essa área de construção dentro da instituição?
General Fróes: O exército tem as várias especialidades. Para as operações bélicas e militares temos a infantaria e cavalaria, que defendem e conquistam território. A artilharia dá o apoio de fogo e a engenharia dá apoio ao movimento. Garante o deslocamento fazendo estradas e pontes. Nas áreas de retaguarda garante o apoio logístico com estradas, aeroportos, ferrovias, portos, hidrovias, dutos. Em tempos de paz praticamos o que sabemos em benefício do Brasil.
Rodovias&Vias: De onde vem os profissionais que atuam nas obras tocadas pelo exército?
General Fróes: O IME – Instituto Militar de Engenharia, junto com o ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica tem sido as melhores escolas de engenharia do Brasil nos últimos 10 anos. Nossos técnicos são formados por esses institutos.
General Jorge Ernesto Pinto Fraxe
Rodovias&Vias: Como estão as obras da BR-101 Nordeste que estão sob responsabilidade do exército e quais as principais dificuldades?
General Fraxe: No geral, nos lotes que o exército realiza obras, temos a média de 60% dos trabalhos realizados. Os três segmentos são saídas de grandes centros urbanos, das capitais Natal, João Pessoa e Recife. Dede que a rodovia foi construída, há mais de 30 anos, atraiu a ocupação, e por conseqüência, os serviços de água, energia elétrica, telefone, gás e esgoto vieram e tomaram a faixa de domínio da estrada. Nossa maior dificuldade foi o remanejamento de tudo isso. Mesmo assim não podemos deixar que comprometa o cronograma da obra.
Rodovias&Vias: Foram muitas as famílias relocadas?
General Fraxe: Já retiramos de dentro da faixa de domínio mais de 1200 famílias. Além dos lotes militares, estamos atuando, a pedido do DNIT, na relocação de famílias em lotes civis. Essas pessoas, muitas vezes, não tem nem documento de identidade. Estamos dando todo esse apoio social, de tirar documentos, abrir conta em banco, comprar uma nova casa com o dinheiro da indenização para que não haja o risco desse dinheiro se perder e a família ficar sem moradia. Existe um alcance social tremendo nessa obra.
Rodovias&Vias: E a questão ambiental, como está sendo tratada?
General Fraxe: Tudo está sendo feito de acordo com as licenças ambientais. Passivos ambientais da estrada original, de mais de 30 anos, estão sendo recuperados agora. A questão da arqueologia está sendo tratada com todo cuidado. Onde tem sítios arqueológicos eles estão sendo resgatados. As licenças das áreas de preservação permanentes, onde correm cursos d’água, levaram em média dois anos para serem concedidas. Tudo isso faz parte desse contexto da duplicação da rodovia.
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FONTE: RODOVIA&VIAS - EDIÇÃO 37