2008-09-10
Cimento começa a faltar no RN devido a grande procura

O aumento da procura por cimento no Rio Grande do Norte está começando a dificultar a vida das construtoras. Apesar de a produção também estar crescendo no estado, ainda não é suficiente para atender à demanda, encarecendo custos e, em alguns casos, chegando a parar obras.
De acordo com o presidente da Cooperativa da Cooperativa da Construção Civil do RN (Coopercon), Marcos Aguiar, o problema está ocorrendo há cerca de 20 dias. Ele confirmou que algumas obras chegaram a ser temporariamente suspensas na semana passada devido ao desabastecimento. “Antes fazíamos pedidos para chegar no outro dia, agora estão demorando 10, 15 dias”, relata.
Dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) mostram que a produção de cimento do RN cresceu 14,6% entre janeiro e maio e chegou a 33,7 mil toneladas. Mas ela não chega a suprir 70% do consumo, estimado em 50,5 mil toneladas nos primeiros cinco meses deste ano – 10,7% a mais do que o registrado no mesmo período de 2007. Essa diferença geralmente vem de indústrias da Paraíba e de Pernambuco. “Não chega a faltar, mas a dificuldade para encontrar cimento está aumentando muito e nisso está incluso o custo maior com o frete, por exemplo”, comenta o presidente da rede de lojas de material de construção Construrn, Alberto Maciel.
Presidente de outra associação de lojas focada em compras conjuntas, a Redecon, o empresário Luís Antônio Lacerda confirma a escassez de cimento no mercado. “Agora os caminhões têm que ficar em filas nas distribuidoras, antes não tinha isso”, conta Luís, que já vê um ensaio dessa mesma dificuldade para o aço. “É sempre assim, quando começa um crescimento, começa a faltar matéria-prima”, diz ele, referindo-se à pujança da construção civil com a facilidade de acesso ao crédito e ao aquecimento no segmento de obras públicas, puxado especialmente pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
“As fábricas estão em sua capacidade total e essa é um dificuldade no país inteiro, mas atinge mais o Nordeste do que o Sudeste”, diz o consultor da Cimentos Tupi, Ovídio Tavares Vinagre. Dados do SNIC mostram que o Nordeste tem menos da metade da quantidade de indústrias de cimento que o Sul-Sudeste tem.
Para Marcos Aguiar, a saída está nas mãos do governo federal. Ele diz que a taxação sobre o cimento importado é alta e burocracia para trazer o produto do Exterior é alta. Dados do SNIC mostram que apenas 0,6% do cimento consumido no país é importado. “Se as indústrias locais estão em sua capacidade máxima, é preciso facilitar a importação”, opina.
Outra opção é esperar por uma melhora na produção local. A Tupi planeja começar a construir em janeiro sua fábrica nas proximidades de Mossoró, com produção anual de 1,1 milhão de toneladas. A unidade industrial da Votorantim, em Baraúna, terá a mesma capacidade e está prevista para começar a funcionar em 2010. Outro grande grupo, o La Farge, mantém estudos para avaliar a viabilidade de uma fábrica no RN.
FONTE: TRIBUNA DO NORTE