2008-03-18
Obra da BR-101 na reta final

Depois de mais de 20 anos de espera, os pernambucanos estão mais perto de usufruir dos benefícios trazidos pela duplicação da BR-101, no trecho sul da rodovia em Pernambuco. A previsão das construtoras que tocam a obra entre Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, e Palmares, na Mata Sul, é liberar dez quilômetros em maio e outros quinze quilômetros até setembro.Os trabalhos mudam o cenário da mais importante e mais deteriorada rodovia federal que compõe a malha viária do Estado. Pelo otimismo dos construtores, nem mesmo o próximo inverno irá atrasar o cronograma.
A duplicação da BR-101 Sul compreende 83,9 quilômetros, entre Cabo e Ribeirão, na Mata Sul. Com 40 quilômetros, o segundo lote vai de Ribeirão a Palmares, na mesma região. A ordem de serviço foi dada em outubro de 2006, mas os trabalhos começaram em janeiro de 2007. Um ano depois, a terraplenagem está concluída em 80% da extensão. O concreto rolado, como tecnicamente é chamada a base da estrada que antecede a instalação das placas de concreto, ocupa 23 quilômetros. As placas definitivas chegam a cinco quilômetros.
O superintendente do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (DNIT) em Pernambuco, Marcos Crispim, comemora o bom andamento da obra “A entrega está marcada para abril do próximo ano. Quando estiver concluída, Pernambuco será o Estado com o maior trecho da 101 duplicado no Nordeste. Incluindo a melhoria na área norte da rodovia e a recuperação do contorno do Recife, teremos 180 quilômetros duplicados dos 213 da BR-101 em Pernambuco”, estima Crispim.
O trecho mais adiantado na região sul é o lote 7, entre Cabo e Ribeirão. Dos 43,9 quilômetros a serem duplicados, 90% (34 quilômetros) estão com a terraplenagem concluída. “Os 15 quilômetros que pretendemos liberar são entre Escada e Ribeirão. A partir daí começaremos a recuperar a pista antiga”, explica o engenheiro Henrique Canuto. O cumprimento do cronograma se deve ao ritmo de atividade dos últimos três meses de 2007. Refletores foram instalados ao longo da obra, permitindo que os funcionários trabalhassem 24 horas. Atualmente o ritmo continua puxado, com os trabalhos seguindo até as 21h.
O lote 8, entre Ribeirão e Palmares, não está tão adiantado quanto o lote 7, mas, para os responsáveis pela obra, caminha sem atraso. A terraplenagem já foi concluída em 50% dos 40 quilômetros do trecho. O concreto rolado foi colocado em oito quilômetros e na última quarta-feira começou a implantação das placas de concreto. Fazem parte dele os primeiros dez quilômetros programados para sem liberados ao tráfego em maio. A duplicação da BR-101 Sul tem custo de R$ 408 milhões, sendo R$ 272 milhões para o lote 7 e R$ 208 milhões para o lote 8.
Duplicação até a Paraíba fica pronta somente em 2009
O avanço das obras na BR-101 no sul do Estado não se reflete na área norte. Iniciada um ano antes, a duplicação de 41,4 quilômetros entre a divisa com a Paraíba e o município de Igarassu só deverá terminar, se não ocorrerem novos adiantamentos, no primeiro semestre do próximo ano. A entrega acontecerá entre dezembro próximo e abril de 2009. E vai ser limitada à liberação de apenas dois quilômetros para o tráfego de veículos antes da conclusão dos trabalhos.
Sob a responsabilidade do 3º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército, o trecho sofre com a falta de continuidade. “Não poderemos liberar uma grande extensão da rodovia porque os trechos já pavimentados não são contínuos. Tivemos problemas com desapropriações e licenças ambientais que impediram a continuidade”, explica o coordenador da duplicação no lote 6, tenente-coronel Noé Rebello.
Em quantidades de quilômetros pavimentados ou com a construção da base que antecede a colocação das placas de concreto, a duplicação da BR-101 Norte supera o trecho sul. São 13 quilômetros de pavimentação final e 17,5 de pavimento-base. O exército se esforça para concluir mais 21 quilômetros até o inverno.
“Embora a gente veja os soldados trabalhando, sem dúvida, essa obra está lenta demais. Na Paraíba, por exemplo, a pista tem concreto da divisa até João Pessoa” afirma Adriano Rodrigues, fiscal da empresa Bonfim, que faz viagens diárias entre os dois Estados.
Orçada em R$ 234 milhões, a duplicação da BR-101 Norte é tecnicamente mais difícil de ser executada do que os outros dois lotes, segundo o Exército e o DNIT. “O lote 6 tinha um número maior de áreas de preservação permanente (APP), incluindo a mata de Goiana. Por isso, as licenças ambientais demoraram mais tempo para serem liberadas. Também existe a questão do solo mole, exigindo uma técnica de terraplenagem complicada e demorada. Nos lotes da região sul, que estão mais avançados, o terreno tem uma topografia que facilita a execução dos serviços. São áreas planas”, argumenta o supervisor das obras da BR-101 em Pernambuco, Silvano Carvalho.
Outra diferença, citada pelo técnico, é que o Exército executa os trabalhos depois que recebe os recursos, enquanto que as empresas que compõem os consórcios dos lotes 7 e 8, asseguram o pagamento dos serviços á medida em que a duplicação avança.
FONTE: Jornal do Commercio – Recife, 9 de março de 2008 - domingo