Um local que já foi conhecido como “Bairro da Morte” vem aos poucos superando suas dificuldades. Atualmente, a esperança de melhoria do bairro da Charneca, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, está na duplicação da BR-101, prevista para ser concluída até o próximo ano. Os 26 mil moradores do bairro acreditam que o término das obras no local, que é passagem obrigatória para quem vem do Sul do País, vai resolver os problemas de saneamento, abastecimento, segurança e educação enfrentados pela população.
Hoje, quem vive na Charneca acredita que a situação já melhorou consideravelmente. “Atualmente, o bairro já está bem mais desenvolvido. Há alguns anos não tínhamos nem água e iluminação”, diz o presidente da Associação de Moradores, Edinaldo Gomes de Melo.
Os moradores acreditam que a BR-101 vai mudar a vida do bairro. As obras de duplicação acontecem em ritmo intenso. Uma ponte sobre o Rio Pavão está sendo construída para suportar grande volume de veículos que passará pela rodovia a partir de 2009. “Além de evitar os congestionamentos vai chamar a atenção par região, trazer emprego e desenvolver o comércio”, acredita Edinaldo.
Desenvolvimento do comércio é o que o dono de mercadinho Ailton Alexandre da Silva espera ter depois de ver a rodovia duplicada. “Acho que o comércio vai melhorar, por que tráfego e o índice de empregos vão crescer, gerando lucro”, diz Ailton, que prevê aumento de até 10% nas vendas.
Outro benefício trazido pela rodovia é a inclusão do bairro no Projeto Rebocar, que garante reboco e pintura para as residências. Hoje, o trabalho acontece de forma experimental em bairros próximos ao Centro e a prefeitura tenta financiamento direto aos moradores através da Caixa Econômica Federal para prosseguir com o serviço.
A rodovia, que já foi palco de inúmeros protestos por causa de atropelamentos, hoje tem uma passarela para pedestres e um túnel, passando por baixo da estrada. Porém a população tem receio de atravessar a passagem subterrânea, que se encontra abandonada, com lixo e lâmpadas quebradas. “Prefiro atravessar pela BR mesmo. Não dá pra ver o que tem lá dentro. Não se sabe o que as pessoas fazem nesse escuro”, conta a estudante Sandra Maria da Silva, 18.
A prefeitura informou que vai tentar formalizar um convênio com o governo federal para a fiscalização. “É necessário um convênio, pois o túnel não está sob jurisdição municipal”, diz o assessor especial da Secretaria de Defesa Social, Luiz Geraldo Leite.
Fonte: Jornal do Commercio – Recife, 28 de janeiro de 2008 – segunda-feira