2007-12-13
BR-101/NE - Uma obra em movimento
Passado o período de chuvas na região, as obras nos 398,9 quilômetros de extensão da BR-101 entre Palmares/PE e Natal/RN foram aceleradas. Com três lotes tocados por Batalhões de Engenharia do Exército e outros cinco executados por Consórcios que aglomeram 15 empreiteiras, a rodovia foi literalmente transformada em um canteiro de obras.
Quem passa neste trecho da BR-101, tanto em Pernambuco, na Paraíba, quanto no Rio Grande do Norte tem as mais diversas sensações diante do intenso volume de obras. "Primeiro eu pensava que ia faltar retroescavadeiras, tratores de esteira, caminhões caçamba e máquinas pesadas no mercado, quando vi tudo isso aqui", comenta o operador de tratores João Carlos, empregado pelo Consórcio construtor do lote 8 e morador do município de Cabo/PE.
"Será que não vai faltar cimento para tudo isso?" Pergunta o motorista Janilson Batista, que observa a execução de placas de concreto no lote 3, próximo a Mamanguape/PB. "Isso é estrada para nunca mais se acabar", conclui outro usuário, assustado com a comprovação dos 22 centímetros de espessura do concreto na nova pista, que já tem mais de 10 quilômetros de extensão, somente no Rio Grande do Norte.
Já dona Maria da Conceição, habitante de Canguaretama/RN, num pequeno trecho ainda sem obras por causa da realocação de moradores instalados na faixa de domínio, diz que está ansiosa para ver o movimento intenso de máquinas na rodovia. "Até agora só vi o pessoal que veio conversar sobre a transferência das nossas moradias para outro ponto da cidade", comenta, sem preocupação com a mudança iminente. Assim como os vizinhos, ela sabe que, quando as máquinas chegarem ali, eles já terão novo endereço. "Moro aqui há muitos anos, mas não penso no que já passou. A mudança vai ser melhor para nós e para a estrada também, né?" Pensamento semelhante podem ter cerca de 1159 famílias incluídas no plano de realocação de todo o trecho em duplicação no Nordeste. Até o momento, 250 já estão em novas casas.
O lote 1 (no RN) com 46,2 quilômetros de extensão, o lote 5 (PB) com 54,9 quilômetros, assim como o lote 6 (PE), com 41,4 quilômetros, devem ser concluídos até o final de 2009. Executados pelos 1º, 2°, 3º e 4º Batalhões de Engenharia de Construção do Exército, esses lotes foram iniciados em dezembro de 2005.
Já os lotes 2 (no RN), 3 e 4 (PB), 7 e 8 (PE), que tiveram ordem de início em novembro de 2006, têm prazo até 2010. Para cumprir os prazo e evitar contratempos com períodos de chuvas muito intensas, a ordem é acelerar. No segmento que vai de Cabo a Ribeirão, em Pernambuco, por exemplo, os serviços têm vários turnos diários. Segundo o engenheiro Luciano Barbosa, um dos líderes do Consórcio responsável pelo lote 7, para manter as obras durante 24 horas ininterruptas, aumentou o número de operários contratados. Com isso, o trecho de 44 quilômetros de extensão já conta com cerca de 1.100 trabalhadores, divididos em vários turnos.
Uma rodovia concreta
Pode até não faltar cimento no mercado, devido à execução pausada do pavimento na rodovia, mas é inevitável se assustar com o volume necessário para concluir a pavimentação. Segundo o engenheiro paraibano Adelson Macedo, do Consórcio gerenciador da duplicação, "considerando a altura de 22 centímetros e os 8,2 metros de largura das placas de concreto usadas, cada quilômetro utiliza pelo menos 1.804 m³ de concreto, com 775 toneladas de cimento". Ele acrescenta que antes das placas tem a base de Concreto de Cimento Rolado que tem 10 cm de altura e 8,5 metros de largura. Para a base CCR são necessárias 85 toneladas de cimento por quilômetro.
Assim, em cada mil metros da nova pista são utilizadas 860 toneladas de cimento, que é adquirido a granel. Se fosse comprado em pacotes de 50 quilos, como o consumidor comum faz, seriam 17.214 sacos de cimento para cada quilômetro pavimentado. Para duplicar os 398,9 quilômetros de extensão da BR-101, de Palmares a Natal, o DNIT vai usar 343 mil toneladas, o que corresponde a 6,8 mihões de sacos de cimento. Isto, considerando apenas a pista, ou seja, sem contar com o material usado para a construção das 118 OAEs (pontes, viadutos, passagens Inferiores e passarelas) e para todas as Obras-de-Arte Correntes (canaletas e bueiros) previstas no projeto.
Uma rodovia cheia de vida
Nos trechos onde a nova pista de concreto contrasta com a pista velha de asfalto e com o betume recém aplicado no novo acostamento em CBUQ, um novo desenho surge na BR-101. Na nova paisagem, a hidrossemeadura executada nos taludes dá um colorido especial para quem passa pela rodovia.
Em trechos como o localizado da divisa dos estados de Pernambuco e Paraíba até o acesso a Lucena/PB, há algo além do verde da grama que brota protegida sob redes de juta. Nas margens do trecho de 54,9 quilômetros, onde trabalha o 2º BEC, já existem vários pontos com reflorestamento, replantio e recomposição de área degradada executados.
Mais de 3 mil árvores e arbustos foram plantados como parte das medidas mitigadoras de danos ambientais. Mesmo quem passa lentamente não descobre que plantas são aquelas, pelo menos enquanto elas crescem ao lado da pista, próximo ao município de Alhambra/PB. Além de bromélias e plantas ornamentais, pequenas mangabeiras, goiabeiras, cajueiros, mangueiras, oliveiras, além de arbustos de acerola, pitanga e araçá dão nova vida à BR-101. Com elas, em breve o cheiro e o sabor do Nordeste brasileiro darão personalidade regional à rodovia, que já foi chamada de Litorânea e liga os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Com todos os benefícios da duplicação, a estrada poderá ser chamada com justiça de "rodovia da vida".
Fonte: Relatório de acompanhamento do Consórcio gerenciador Contécnica/Planservi/Lenc